Lendo a revista Lola, ed. 19, passei por uma entrevista sensacional, a do psicanalista Francisco Daudt da Veiga. O tema é felicidade no mundo atual, o que gera muito assunto. A matéria escrita por Carol Vaisman, tem um título de citação do psicanalista que resume tudo: "A Felicidade virou obsessão". Durante a apresentação do profissional feita por Carol, há uma frase mais embaraçosa ainda: "vivemos uma época de busca frenética pelo prazer imediato, que está sendo confundido com felicidade". Apresentarei pra vocês, hoje, 1/3 da entrevista que eu li, selecionei algumas perguntas-respostas que me chamaram a atenção e as desenvolverei nos próximos capítulos (os grifados serão assuntos para os próximos posts):
O medo de sofrer virou uma epidemia?
O que existe é a obsessão pela felicidade, que dá um empurrão em uma das características da natureza humana: a húbris ( palavra de origem grega que significa o excesso, a intensidade, o exagero, a desmesura, a euforia), que sempre nos levou a rir, chorar, sofrer, a nos drogar como nenhuma outra espécie o faz. (...). É como se diz por aí: gastamos um dinheiro que não temos, consumindo coisas de que não precisamos, para impressionar pessoas que não conhecemos.
Os relacionamentos amorosos ainda são muito idealizados?
Sim, principalmente quando há paixão. A paixão é um estado de loucura transitória em que a pessoa não se relaciona com a outra, mas com a idealização que faz da outra. (...)
Mas excesso de companheirismo não pode minar a vida de um casal?
O companheirismo é uma benção na vida de um casal. O apoio mútuo, a cumplicidade, o achar graça um no outro, ter o que conversar são coisas que só enriquecem e fazem aumentar o amor. Talvez o que você chame de excesso de companheirismo seja a tendência de certos casais perderem suas individualidade e querer partilhar tudo o que vivem, "naquela base do só vou se você for", inclusive a senha do computador.
Como a ansiedade dos pais interfere na criação dos filhos?
A ânsia de ver os filhos felizes pode levar ao wagging the dog ("sacudir o cachorro pelo rabo": um cão sacode o rabo quando está alegre, mas o contrário não funciona se você sacudir o rabo do cachorro. (...) Se você quer seu filho saudável, contemple-o, aprenda a lê-lo, a compreender a pessoa que ele é, suas necessidades que devem ser acolhidas, e suas capacidades e ambições, que devem ser apoiadas.
