Talvez, hoje em dia, acreditar em Papai Noel aos 7 anos de
idade seja absurdo. Mas em 1997, eu acreditava. Passava o ano pensando no
presente ao qual iria ganhar no Dia das Crianças e no Natal.
Esse ano não foi diferente. Eu e minhas duas sempre fomos
crianças tranquilas. Tranquilas mesmo. Do tipo que entrávamos em uma super loja
de brinquedos e olhava apenas, não ficava na barra da saia da mãe chorando por
qualquer chaveirinho que víssemos.
Bom, o Papai Noel sempre recompensava (brincadeira). Em
1996, passamos o Natal em uma praia em Florianópolis, sem a tradicional festa
natalina que reúne a família toda, com parentes que vemos uma vez por ano,
nessa data.
Mas foi muito bom! Aproveitei tanto que fiquei com os ombros
ardendo.
Um mês antes da viagem, eu e minhas irmãs escrevemos as
cartinhas para o Noel. E, para ser camarada com o bom velhinho, selecionei dois
itens: Máquina de Fazer Tricô (não me pergunte porquê) e a Barbie Ula-Ula.
No dia 24 próximo a meia-noite, o hotel onde estávamos
contratou um Noel que entregava os presentes às crianças. Eu olhava os
primeiros da lista desembrulhando caaada brinquedão, que fiquei na esperança da
Barbie Ula Ula. Até porque eu já tinha sondado os pacotes e tinha um que se
encaixava perfeitamente na forma da boneca.
Ao ser chamada para pegar o presente, não era bem o pacote
que eu estava esperando, entretanto a esperança foi a última que morreu.
Desembrulhei e era uma boneca, porém maior que uma Barbie e com uma chupeta na
boca. A menina chamada logo depois foi
quem ganhou "aquele" pacote, cujo recheio era, sim, a Barbie Ula Ula.
Bom, tinha certeza que havia ocorrido algum engano e estava
disposta a reclamar pro Papai Noel, se a minha timidez permitisse. Porém,
depois, percebi que aquela boneca (bonitinha, mas sem a graça da Ula Ula) era o
meu presente, pois as minhas irmãs ganharam a mesma boneca.
Não falei nada, nem para a mamãe e nem para o papai. No
outro dia, nossos sapatinhos amanheceram cheios de balas de chocolate, peguei
minha bonecona e comecei a chacoalhar como um nenê de verdade. Papai Noel foi
muito camarada!
Hoje, mamãe conta sobre essa frustração (dela).
Pra você, talvez, não seja nada. Mas com esse fato aprendi
os reais valores de uma família e como a vida segue na real, sem contos de fada,
só com presentes de Papai Noel!
(eu sei que está longinho do Natal, mas me lembrei dessa história
quando me perguntaram o que mais me marcou dos meus 0 aos 7 anos? Talvez, minha
voz estridente e minha vontade de andar de salto alto sejam bem mais marcantes
(para quem me conhecia). Porém, acho que foi um dos episódios que
supervalorizo, pois aprendi sozinha e sem dor)

