sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Choques de um Brasil e Argentina



Véspera de um amistoso SuperClássico e nada amigável Brasil x Argentina e a discussão era: qual roupa usar? Fútil?
A preocupação real era se os argentinos seriam receptivos com as camisas verde e amarela em um mar celeste, já que as torcidas são misturadas.
Pensamos: somos brasileiros, mas estamos na Argentina, mas não posso virar a casaca, mas e o medo?
Por fim eu decidi ir neutra, Aline foi de Argentina e Murilo de corintiano. 
Primeiro choque: encontramos meia dúzia de brasileiros no mesmo coletivo que nos trasladava, sendo que 2 eram unespianos! Minha euforia começou a aumentar e a vontade de ver um gol brasileiro no país dos hermanos também.
Pisamos no estádio Mario Kempes e (segundo choque) em cada camelô havia dois exemplares de bandeiras brasileiras para um cento de argentinas. Comprei uma (... brasileira lógico), compraria mesmo se custasse 70 pesos. Entramos na área que correspondiam nossos bilhetes e (terceiro choque) argentinos à paisanos, argentinos que organizavam o evento, argentinos jornalistas, enfim, todos os tipos deles nos receberam, conversaram e tiraram fotos com a gente. A banda começou a tocar música brasileira e fomos convidados a pintar o rosto.
O medo voltou porque as cadeiras eram numeradas e cada um de nós estávamos em uma fileira diferente, mas isso logo passou... já explicarei o por quê.
Descemos as escadas da arquibancada e (quarto choque) já ouvimos "Ei brasileiros" e logo nos juntamos com um grupo de quatro, depois com mais dois, com mais três e, por fim, éramos um grupo de quase 15 brasileiros de diversas partes do Brasil. E a cadeira? Sentamos onde quisemos... e a força de 15 brasileiros que gritavam mais que milhares de argentinos?

O jogo começou xôxo e terminou xôxo. Mas a nossa torcida cantou, bateu palma e se perdeu na OLA!

O lance do Damião vi de pertinho e, realmente, foi demais! Coração disparou, preparei o grito de gol e até o choro! Mas sem chances!!!

E o R. Gaúcho cansei de gritar pra ele bater na direita, mas acho que ele entendeu que era na direita dele!! xD
Final de jogo! Demoramos uma meia hora para sairmos, não porque estava lotado, porque os argentinos queriam tirar fotos com nós! Eram muitos: de niños a abuelos. Fora do estádio, mais fotos, encontros com  outros brasileiros... nos sentimos em casa!
Digo que foi uma experiência única, uma experiência que eu gostaria de repartir com todos que eu amo, uma experiência inesquecível!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

♪Longe de casa há mais de uma semana ♪, ou melhor, um mês


O fósforo foi descoberto em 1669 e aprimorado como palito no século XIX. E quem inventou o palito de fósforo, o criou para ser guardado em uma pequenina caixinha?
E nós? Somos criados para ficar em uma pequenina caixinha, ou melhor, em uma casinha (entenda o diminutivo no sentido carinhoso), que designamos “nosso lar”. Nosso lar é uma caixinha dentro de várias que existem. E ainda assim, acreditamos na magnitude daquele mundo, da infinita finitude que cercam aqueles muros.
Ao ganharmos a chave de casa, em certo ponto, conquistamos uma liberdade: podemos entrar ou sair a hora que quisermos. O mundo nos espera para explorá-lo, temê-lo e destemê-lo.
Aquela famosa frase que os filhos crescem longe dos pais ou de casa se torna real em meu contexto. Principalmente, quando fiz um mês longe do meu criadouro de arquétipos. Arquétipos que outrora tão unos e, agora, tão diversificados ao meu olhar. Já me acostumei com o beijinho de cumprimento entre argentinO e argentinO, com a padaria que não tem pão e nem frios, com o doce de leite maravilhoso (isso não foi difícil), com o mate e com os gritos histéricos das chicas. Tem coisas que não nos acostumamos tão fácil, como comer pão e macarrão juntos, a falta do arroz diário e o cuspir das pessoas na rua (eca!).

 Enfim... Minha redoma de fósforo me serviu de muita moral, educação e costumes; mas não me impediu de conhecer outras, de respeitar e de me servir de outras. Basta sairmos um pouco da caixinha e ver o quão grande é o espaço e o quão minúsculos somos. O quão medrosos ou atirados somos. Ou quão dependentes somos. Tenho a chave da minha caixinha e, assim, também como diz aquele velho jargão: “o bom filho a casa retorna”.