sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Vamo passeá!?


Essa era uma das frases (entre tantas) que animavam demais a Iala.
Sair para dar uma volta é sempre bom. Alguns se arrumam, se perfumam e até se maquiam. Mas, ela não. Ela sempre estava pronta. E não tinha esse problema de estar chovendo, afinal não somos feitos de açúcar. Ela ia correndo, sem ao mínimo lavar o rosto.
Ficamos próximas, ela se tornou a minha companheira. Passamos pela fase da adolescência juntas. Eu, com 15/16 anos e ela com 4/5 anos. Às vezes, brigávamos. Mas não tinha cinco minutos com a cabeça baixa que não resolvessem.
Eu queria gastar energias, chamava ela. Eu queria emagrecer, chamava ela. Eu precisava arejar a cabeça, chamava ela. Lembro-me das várias vezes em que saímos vaguear pelas ruas  porque eu estava triste, após uma neura típica da adolescência. Achava que ninguém me entendia, só ela. Ela me ouvia. Nunca me deu conselhos ou puxou minha orelha (apesar de eu ter feito muito isso com ela). Ela simplesmente olhava bem nos meus olhos. Olhos grandes, pretos, protegidos por uma enorme sobrancelha. Olhos companheiros... que agora encontram-se fechados!
Ela foi passear, mas não chamou a gente!
Vá com Deus, querida! Chegou a minha vez de compreender você!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Envelhecer


Atire o primeiro pirulito quem não queria voltar a ser criança!
Correr sem ter motivo, não ter compromissos Sérios, assistir a desenhos animados o dia inteiro e colorir figuras na sala de aula. A gente cresce e só pensa no amanhã com um singelo paradoxo: medo de envelhecer.
Parece-me que criança é sinônimo de vida, começo, alegria.
Lembro-me com 11 anos e brincando com a minha cachorra com meses de vida. Não tínhamos limites. Crescemos, ela nem tanto, e 11 anos depois nos vemos em situações diferentes de anos atrás. Descansamos juntas no sofá, nem eu e nem ela queremos sair correndo pela casa sem rumo e aos berros. Queremos conforto, carinho e água fresca (melhor ainda, se tiver um biscoitinho de polvilho). E isso também é alegria!
Envelhecemos, uma mais que a outra. Talvez, eu esteja no meio do livro e ela no final.
É ótimo começar a ler um livro, mas melhor ainda é terminá-lo (não há nada melhor que a última página) e poder contar a história que acabamos de nos surpreender. Terminar é o ponto de partida de começar.
A velhice são as últimas páginas de uma história, a satisfação em concluí-la é vida.

(Este post é dedicado a minha cachorrinha Iala que a vi com dias de vida, crescer e, agora, envelhecer. Obrigada!)