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domingo, 14 de julho de 2013

Ver e enxergar!


Foi pelo canto... Escutei um passarinho piar incessantemente nas minhas costas.
Me virei e, pela vidraça, vi o bichinho em uma coreografia acrobática e em uma apresentação sonora digna de aplausos. (Era quarta-feira para toda aquela agitação).
Ele livre e eu engaiolada dentro de um escritório só observando aquele show.
E, assim, ele continuou por horas atiçando a minha curiosidade. Afinal o que aquele passarinho queria?
Abri a porta e o vi melhor. Sua barriguinha tinha um amarelo tão vivo que o dia ensolarado tornava-se triste perto da vivacidade daquele pequeno ser.
O mais interessante é que, mesmo me aproximando, ele não fugia. Não tinha nada que o fizesse arredar o pé dali.
Apesar do belo espetáculo, afazeres me esperavam e os segundos de contemplação face a face chegaram ao fim. Fechei a porta e, como de costume, arrumei o tapete de entrada com os pés e, foi aí, que enxerguei aquele passarinho.
Vi um montinho caído imóvel logo atrás daquela porta de vidro que tinha uma mancha amarela da mesma cor do bichinho cantor...
... Enxerguei aquele passarinho e ouvi com toda a atenção e pesar a sua melodia.
E, assim, cantando o epitáfio do seu companheiro, ele está até agora no mesmo lugar (quase uma semana depois) !

Talvez, pude compreender o verdadeiro significado do ditado: "nem tudo o que reluz é ouro"!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Companheiro ou compañero?

Horkheimer e Adorno

Companheiro: do latim, compartir o pão

O uso de companheiro e compañero é diferente no Brasil e na Argentina. Compañero na Argentina é o mesmo que o colega do português.
O companheiro brasileiro é mais do que um ser que divide um mesmo ambiente escolar ou de trabalho.
Ser companheiro ou compañero é compartir o pão. Mas além do pão (uma massa feita com farinha, água e sal que se tem origem nos povos da Mesopotâmia), o compaNHEIro divide tristezas e alegrias, pão ou jiló, está presente em qualquer momento mesmo longe em distâncias físicas! São raros, porque companheiros não se fazem em toda esquina, em toda classe e da noite para o dia.
Companheiro se mostra aos poucos, se torna essencial em nossas vidas e muito presentes, que mesmo longe queremos saber o que ele pensa ou o que pensaria se estivesse em nosso lugar.
Desde que cheguei aqui, percebi o quão sou acompanhada e a contínua conquista de compaNHEIros por esse mundão, que as vezes pode estar perto, mas são nas dificuldades e diferenças que o percebemos.
Nas últimas semanas, por exemplo, os meus compaNHEIros mais presentes "fisicamente" são Adorno e Horkheimer. O que será que eles pensam disso?